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A Lenda de Venafelyn · Capítulo 9 de 9

8 — Nevaeh

por AlkhamPublicado

[Nevaeh:]{.underline}

Se existe uma espécie entre todas as espécies da Segunda Existência que
se assemelha em espírito e forma a um ca´elestibu, está é, sem dúvida, a
elestina. Um povo que pela própria natureza se projeta para com a
divindade, e mesmo diante de todos os males que recaíram para os outros
seres que se revoltaram contra o julgo do Demônio e do Dragão, ainda se
mantinham firmes.

Suas lanças e escudos levantados eternamente contra o Opressor dos
Povos.

Sobre altivas montanhas de Nevaeh, dos domínios de Ravilyna, o povo
alado mantinha uma fronte de combate contra a falsa-deusa e seus
súditos. E era de tal modo à ferocidade dos ataques das lanças elestinas
que, naquele planeta repleto de águas onde somente as montanhas
erguiam-se como terra firme, as forças de Ravilyna estavam a serem,
lenta e seguramente, expulsas para além das terras dos elestinos.

***

[Visita do Sol:]{.underline}

Venafelyn estava no pátio do Castelo Celestial, capital do Reino Sul de
Nevaeh, Amsita, esperando o rei.

Havia reduzido sua forma física de típicos sessenta metros até não mais
que dois. Embora não gostasse, era realmente necessário. As construções
elestinas eram admiráveis. Prédios altíssimos. Torres brancas erguidas
tanto com Poder Primevo quanto com ciência. Mas nada disso poderia
suportar a verdadeira forma de Venafelyn. Seria uma catástrofe sem
tamanho pensar o contrário.

Mesmo assim a sua forma atual era apenas uma réplica diminuída de sua
verdadeira.

Seus olhos ainda ardiam em fogo azul. As mãos permaneciam revestidas por
manoplas metálicas douradas, ainda vibravam em chamas. As duas asas
inferiores estavam recolhidas sobre os quadris enquanto o outro par
descia para trás como um manto em chamas, sacolejando.

Embora fosse fácil fazer a armadura acompanhar seu tamanho, sua arma,
não. A Estrela da Manhã, de quase quarenta metros de puro e verdadeiro
sempernico repousava no pico de um monte. Fora da capital. Erguendo os
olhos, ele até conseguiria vê-la, brilhando em dourado acima dos verdes
do monte.

Não que o Senhor das Auroras tivesse a mais remota intenção de usá-la.
Não. Nevaeh era o último lugar de Gion onde se imaginária usando uma
arma. Ou sequer lutando. Mas depois de tanto tempo --- lutando, matando,
esmigalhando e incinerado aqueles que se opunham a harmonia de Gion ---
era estranho abandonar sua arma. A única companhia fiel ao longo destes
milênios. Mesmo alguns instantes já parecia muita coisa. A sensação era
de perda. E, também, alívio.

Mas esses eram pensamentos estranhos. E Venafelyn não se demorou muito
pensando sobre essas coisas. Seus olhos flamejantes percorreram os
arredores, perfurando a tênue escuridão que ainda não havia se
dissolvido com a chegada do sol. Parece que ninguém havia se dignado a
vir recebê-lo. Embora lá em cima o burburinho e agitação com sua chegada
já fosse visível.

Mas, é claro, talvez fosse porque o dia ainda estava clareando.

E aquela estrela que brilhava lá, tão distante no horizonte, criada a
tanto tempo pelo próprio Venafelyn, agora o observava, anunciando ao seu
criador que ainda estava cedo para quase qualquer assunto mortal.

Logo pela madrugada que Venafelyn havia chegado ao castelo. Pousou sobre
o cume de um observatório, já em forma reduzido, e desceu até o pátio do
Castelo, e esperou.

Somente por respeito aos costumes dos elestinos que não entrou lá
durante a noite e conversou com o rei pessoalmente. Motivos e autoridade
ele tinha para isso. E ninguém negaria, afinal ele era quem era.

Já se passara uns vinte minutos desde que um guarda real, cumprindo sua
tedioso rotina de averiguar as alas do Castelo, havia se deparado com
Venafelyn. Por um momento sua trêmula lança irradiou uma luz azulada
enquanto ele a mirava em direção de Venafelyn.

Mas Venafelyn se manteve quieto, fitou o guarda eliel e disse, com muita
naturalidade:

--- Eu sou Venafelyn. --- Então tamborilou os dedos sobre a borda de seu
elmo, e esperou...

Num primeiro instante pareceu surtir um efeito errado, pois o guarda
firmou sua lança com mais força (um pequeno graveto metálico que diante
Venafelyn seria tão útil quando tentar derrubar a lua á pedradas).

Mas Venafelyn se colocou em pé e deu apenas um passo. Uma passada
simples, como estivesse caminhando nas passarelas de seu próprio jardim.

Foi o suficiente para o guarda tremer desde as pontas das asas até o
último fio de cabelo. Largou a lança e começou a se virar para fugir.
Seus gritos de pânico diante da visão foram reprimidos apenas pelo
orgulho e o silêncio repressivo da madrugada.

Porém antes que o eliel alcançasse a saída dos jardins, Venafelyn se
materializou ao seu lado. A mão pesada e causticante pousou sobre o
ombro do elestino, o impedindo de fugir, e o ca'elestibu disse, então:

--- Traga-me seu Rei. --- E soltou o eliel que saiu literalmente voando
em disparada castelo adentro. --- E seja rápido. ---, acrescentou,
embora soubesse que o eliel não ouviria.

Os gritos reprimidos do guarda só foram libertos após ele ter subido
vários andares. Somente então foi possível ouvi-lo berrar coisas sem
nexo como: Intruso. Fogo nos olhos. Falar com o rei. Armadura
flamejante
. E, com toda força de seus pulmões: Venafelyn!

Seis minutos depois todo o castelo estava acordado.

Cada qual mais confuso que o outro. As luzes brancas das luminárias
resplandeceram por um instante na cúpula real, e logo se apagaram.
Guardas começaram a correr pra todo lado. O aço de suas armaduras
brancas tilintando pelo prédio inteiro, a exceção do pátio onde
Venafelyn, em silêncio, esperava.

Vez ou outra alguém olhava de esguelha pelo alto de alguma das janelas
do castelo. Porém logo quem abriu as fechava e saia, apressado, para
juntar seu assombro a murmuraçao que tomava conta do castelo.

Venafelyn passou mais meia hora, contemplado o sol com a paciência de
uma pedra, até que alguém decidiu aparecer. Embora não fosse a pessoa
que ele esperava.

***

Seu nome era Wumgo.

Um ancião humano de cabelos grisalhos, olhos profundos escondidos pela
pele rugosa e que brilhavam como faróis brancos.

Vestia uma túnica alva com bordas negras, e tinha uma postura ereta e
vivida como de um homem em pleno vigor. Na mão direta segurava um cajado
de ferro completado por gemas elementares, enquanto a outra se escondia
na longa manga da túnica.

Ele entrou acompanhado por três guardas da raça eliel. Sujeitos de dois
metros e tanto, com mãos trêmulas erguendo lanças ainda mais trêmulas.

Dentre os quatro somente Wumgo não parecia a ponto de correr ou de se
ajoelhar a qualquer momento. Mesmo assim quando Venafelyn começou a
andar em sua direção, ele quase deu uma passada para trás. Os guardas ao
seu redor balançaram as lanças em ameaça, embora pelas suas expressões
vacilantes fosse fácil perceber que eles desejavam qualquer coisa menos
ter de usá-las.

Wumgo ergueu a mão em direção dos guardas num gesto pacificador

--- Eu já lhes disse. Não há necessidade de violência aqui. Abaixem
essas lanças. Não conseguem ver diante de quem estão?

Mas nem uma das lanças se abaixou.

O olhar do ancião pousou, repressivo, sobre cada um dos guardas, como se
não compreendesse o motivo de tamanha estupidez. Depois, com um suspiro
resignado, olhou para Venafelyn.

--- Espero que o senhor me entenda. Eu não sou um rei de verdade. E,
mesmo que eu fosse, esses três aqui só obedecem as ordens do Rei
Tahrafo. Aqui sou quase um ninguém... --- outro suspiro resignado. Seus
dedos se fecharam com mais força ao redor do bastão. Então começou a
andar em direção de Venafelyn.

Os guardas o acompanhavam de perto.

Em meio a verdejante grama do pátio alguns bancos de mármore haviam sido
dispostos. Wumgo se assentou em um que bem próximo de Venafelyn, o
bastão repousou em seu colo.

Não que Venafelyn se importasse em ficar assentado ou em pé. Mas apenas
para não quebrar o costume dos mortais, também se assentou em uma banco
ao lado. Achou um pouco intrigante o humano não lhe ter prestado nem um
tipo de reverência espalhafatosa, como era típico dessa gente.

--- Você é mesmo Promestan, não é? --- o ancião perguntou. Tinha uma voz
mais forte do que aparentava.

Por um longo tempo Venafelyn não respondeu nada. Apenas contemplou o
velho com seus olhos de fogo, como se analisasse algo. Por fim depois de
um silêncio desconfortável, Venafelyn tocou sobre a lateral de seu elmo
dourado. Uma, duas, três vezes, e disse:

--- Promestan? Sim, mago. Eu sou quem vocês chamam de Promestan. Valcon,
Luna-Ral, Anaantanha, ou, como poucos parecem se lembrar, apenas
Venafelyn. --- Apontou o dedo para o alto. --- Este sol (Lindo, não?)
foi eu quem fez.

E, embora dissesse isso, não havia nem um tipo de gracejo em sua voz. O
ca'elestibu falava esse tipo de coisa da mesma forma que uma senhora
falaria que comprou pão de manhã.

Wumgo se curvou para frente, como se tentasse ter uma visão mais apurada
da figura dourada reluzente.

--- Nem consigo acreditar... --- disse ele estreitando os olhos. ---
Quando eu era jovem.. Um pequeno garotinho correndo pelo castelo de meu
pai. O único sonho que vinha a minha mente era um dia estar aqui. Diante
de Promestan. O grande senhor do fogo. Eram tantas histórias e lendas ao
seu respeito. --- O velho suspirou, revelando todo o cansaço de seus
muitos anos. --- Mas desde então tanta coisa mudou... A velhice acaba
nos matando, hora ou outra. Nós, os mortais. Eu já havia até me
esquecido...

Levantou-se do banco com um impulso ligeiro e começou a andar em direção
de Venafelyn com passos comedidos.

Um atrás do outro, lentamente.

Dois guardas se colocaram em seu caminho, as lanças barrando a passagem.
Estavam apenas seguindo suas ordens de evitarem quaisquer tipos de danos
ao irmão do rei de Wihiaz. Mas Wumgo não se importava com isso. Só o que
ele via era duas lanças o impedindo de alcançar seu sonho mais antigo.

Suas mãos brilharam, e com um tapa no ar as lanças voaram em fragmentos
das mãos vigorosas dos elestinos.

Embora, de fato, pudessem oferecer uma resistência maior, nem um dos
três tentou impedi-lo novamente. As lanças quebradas eram uma desculpa
satisfatória para dar ao seu rei caso algo de mal acontecesse ao velho
humano. Nós tentamos, certamente diriam eles, e então mostrariam as
lanças quebradas como prova.

--- Eu já havia até me esquecido o quanto eu esperei por esse momento!
--- Wumgo se curvou aos pés de Venafelyn, e começou murmurar antigas
bênçãos enquanto segurava sua mão esquerda e a beijava com lágrimas de
alegria escorrendo de seu rosto cansado pelos impiedosos anos.

Por duzentos e sete anos sua magia o manterá vivo. Vivo apenas para este
momento. Seus lábios se queimavam ao tocar o ardente aço das manoplas de
Venafelyn, mas isso não o impediu de dizer:

--- Bendito seja o Criador por me dar tamanha alegria! Promestan!
Promestan! O maior de todos os Senhores das Auroras!

De dentro de seu pesado elmo dourado, Venafelyn o observava com uma
expressão indecifrável.

Talvez compaixão. Talvez pena. Ou talvez nada disso... Ele era um
Ca'elestibu, afinal. E nunca fora o maior deles...

Venafelyn segurou o ancião pelo ombro e o ergueu, indicando que se
assentasse ao seu lado direito no banco. Wumgo assim fez, mas seus olhos
brilhantes não se desprenderam do Senhor das Auroras por nem um
instante.

***

Quando o príncipe-comandante Derael-Tahrafo chegou ao pátio mais parecia
estar indo a uma espécie de procissão religiosa ou real do que qualquer
outra coisa.

Seus guardas --- sete alysaundreos de asas brancas vestidos em armaduras
prateadas tão reluzentes que doíam os olhos ---, portavam apenas escudos
quadriculares, sem nenhuma lança.

E embora o rei não estivesse ao seu lado, sua irmã e a rainha o
acompanhavam, como se fossem uma substituição a ausência do soberano.
Eram duas elestinas em vestidos azul-celeste adornados com ouro, prata,
diamantes e toda sorte da raridades. As duas pareciam ter a mesma idade
e beleza. As faces austeras pareciam ter sido congeladas no ápice de sua
beleza.

Apenas a resplandecente coroa aninhada entre os cabelos branco-azulados
de uma delas anunciava quem era a rainha.

De toda a procissão, Derael era que aparentava estar mais despreparado.

Fora parte um tabardo delicadamente esculpido em fios de prata e tecido
negro, ilustrado com uma águia de quatro asas que representava o poder
de Avalyn, todo o resto parecia de alguém que acabara de acordar. Mas
até o belo tabardo parecia ter sido colocado as pressas, e o elestino o
ajeitou um pouco ao aparecer em frente Venafelyn.

O velho Wumgo começou a se levantar para fazer uma reverencia a rainha e
ao príncipe. Mas quando Derael o viu assentado ao lado de Venafelyn,
seus olhos se alargaram, e fez um gesto discreto com a mão. Wumgo
entendeu aquilo e voltou a se assentar. Talvez Derael não entendesse o
porquê daquele velho mago estar ali. Mas se ele estava ao lado de
Venafelyn, então ele tinha moral o suficiente para não se curvar a nem
um elestino.

Por sua vez, Derael fez uma profunda reverência, curvando-se para
frente. Suas asas brancas, de aspecto duro como mármore, se estenderam
até quase tocarem o chão.

O gesto do príncipe comandante foi seguido por todos ao seu redor.

--- Honrados sejam os Senhores de Gion! --- as vozes de toda a procissão
se uniram na saudação. --- Construtores. Artífices. Mestres e tecedores
da Terceira Existência. Que o Criador verta bênçãos sobre ti. E Avalyn o
guarde sob suas asas.

--- Avalyn... --- sussurrou Venafelyn, uma tênue luz percorreu seus
olhos, como se algo a muito apagado se reacendesse. No entanto, esta
pareceu ter sido a única coisa que o ca'elestibu reparou na reverência
dos elestinos.

Venafelyn se levantou.

Seu elmo pendia para um lado enquanto seus olhos fitavam toda a
procissão. Bateu com os dedos na lateral do elmo, um, duas, três vezes.
Depois se assentou.

Olhando para Wumgo, perguntou:

--- Quem são estes, afinal? Não me lembro de já tê-los visto antes. Nem
um destes é o rei.

Ao perceber que a pergunta essa para ele, Wumgo logo se apressou a
explicar quem eram.

Derael-Tahfaro, o príncipe e comandante máximo dos exércitos de Amsita.
A rainha Damcoa e, ao lado, sua filha, a segunda princesa real,
Harça-Tahfaro. Os outros eram guardas reais.

--- E onde está o rei? --- perguntou Venafelyn depois de ouvi-lo. Mas
antes de Wumgo continuar, a Rainha tomou a palavra:

--- Infelizmente, o Rei não pôde comparecer. No momento ele está lidando
com assuntos importantes da realeza elestina... --- Venafelyn a
interrompeu.

--- "Assuntos importantes..." --- disse, como se essa fosse a frase
mais estranha que ele jamais ouvira em toda sua existência. A rainha
desviou os olhos, sua face alva ganhando tons avermelhados. --- "...da
realeza elestina." --- ele completou.

Os dedos de Venafelyn por três vezes tilintaram no elmo, e ele tornou a
dizer:

--- O que seriam estes "assuntos importantes", pequena rainha
alysaundrea? Ou melhor, estes assuntos mais importantes que eu?

A Rainha Damcoa permaneceu calada, seu rosto ficou vermelho como um
pimentão. Venafelyn achou aquilo estranho.

Derael se apressou a responder:

--- Desculpe a descortesia, Senhor Venafelyn, mas tenho certeza que o
que minha mãe queria dizer é que o rei não está em Amsita. E por isso
não pôde comparecer.

A rainha fez um aceno de cabeça concordando. No entanto sua face
continuava corada, e Venafelyn não entendeu isso.

--- Além do mais --- reforçou a princesa Harça --- a sua chegada foi
muito repentina. Ninguém estava esperando vê-lo. Senão teríamos
providenciado uma recepção mais apropriada.

--- Por que eu deveria anunciar minha chegada? Por acaso o sol precisa
de emissários? --- Disse Venafelyn, mas sua atenção ainda pendia na
rainha. --- Creio que não. Ele vem quando deve vir, e nada pode
impedi-lo ou pedir satisfação. --- Dito isso, pendeu seu elmo para o
lado, em direção de Wumgo, e disse somente para ele. --- A atitude
daquela rainha tem me incomodado. Diga-me, mago, o que há de errado com
ela?

Antes de responder, Wumgo fitou a rainha por um tempo. Ela parecia
acanhada. Estranho.

--- Creio que ela esteja com envergonha. --- sussurrou Wumgo, tomando
precaução de não ser ouvido por ninguém além de Venafelyn.

Depois de dois toques em seu elmo, Venafelyn fitou a rainha fazendo-a
encolher-se mais ainda diante dos olhos ardentes do ca'elestibu. Derael
havia retornado a falar, estava explicando sobre a partida do Rei
Tahrafo para o Reino do Leste no dia anterior. Venafelyn estava
escutando cada um de suas palavras e meditando nelas. Mas ao mesmo tempo
observava, inexpressivo, a Rainha.

--- Há coisas que jamais entenderei. --- disse para Wumgo. --- A
vergonha é uma espécie de remorso por dizer aquilo que lhe é devido,
verdade?

--- É mais complicado.

O elmo de Venafelyn voltou a pender em direção do velho humano.

--- Hum... Você irá me explicar isso mais tarde. Entretanto, agora...
--- Pousou o olhar sobre Derael. --- Você diz que Tahrafo irá convocar
uma assembleia com os outros senhores de Nevaeh para decidir o que farão
com os refugiados humanos. É algo que desperta meu interesse, porém mais
interessante ainda séria saber como eles vieram se refugiar aqui. Eu
estive imerso em um pesado sono, e ao ser desperto deparei-me com a
ruína e desolação do pequeninos humanos de Lutinavel. Como isso
aconteceu? Como Lutinavel caiu?